
Nascida no exílio, D. Amélia teria também por destino o exílio, depois de ter sido rainha de Portugal durante 19 anos. A última rainha de Portugal, após a implantação da república, viveu alguns anos em Inglaterra e estabelece-se definitivamente no Château de Bellevue, em Chesnay, Versailles.
Durante o período que aí viveu viu, aquando da segunda guerra mundial, a sua residência foi requisitada pelos oficiais alemães, os quais sentem especial prazer em conviver com uma rainha, mesmo que no exílio. Com ela passam a frequentar a missa na igreja de Saint-Antoinne, a mais próxima de casa. Tendo um dia um oficial alemão oferecido o braço a D. Amélia para a acompanhar de regresso a casa, a rainha recusou alegando ter a sua Catarina (nome pela qual designava a sua bengala) que a auxiliava.
O Governo de Portugal acede em receber a Rainha em Portugal dada a situação em que se encontrava, mas a mesma recusa alegando que a França a tinha aceitado na sua desgraça e portanto não podia abandonar a França na desgraça desta. O Governo deligencia então para que os alemães abandonem a residência da rainha e enviam-lhe uma bandeira para ser hasteada lá a fim de tornar aquele território neutro.
Após o fim da guerra, a Rainha toma em Paris um combóio com destino a Lisboa, tal como o fizera há 50 anos, naquela vez para se casar com D. Carlos, desta vez para visitar Portugal, onde permanece mais de um mês, visitando lugares aos quais estava tão ligada, como o panteão dos Bragança, Alcobaça, Batalha, Fátima (apesar de as aparições serem posteriores ao seu exílio), a Pena, Mafra e a Ericeira (de onde tinha partido para o exílio). Segundo a Rainha, veio para matar saudades e afinal levou ainda mais.
Morre em Outubro de 1951, tendo sido transladada para o Mosteiro de São Vicente de Fora, depois de milhares de pessoas lhe prestarem homenagem.
A parte da sua herança não reclamada pelos seus herdeiros e as ofertas que a rainha fizera ao longo da sua vida a pessoas que sempre a serviram está na origem da colecção em que uma parte é agora apresentada na Casa-Museu Anastácio Gonçalves. Objectos pessoais, diários, fotos, roupas, etc., podem ser vistos nesta exposição que nos mostra uma pessoa que tendo sido expulsa de Portugal nunca o esqueceu.